Ócio merecido
January 16, 2009 at 4:46 pm 3 comments
Lembro de uma aula de História Geral no cursinho em que o professor estava falando de um filósofo cujo nome não me recordo. Aquela ficou fortemente marcada pra mim, ele dizia que o filósofo exaltava o ócio, ‘como é bom não fazer nada’, no primeiro instante achei estranha a idéia, mas ele prosseguiu, o ócio é uma sensação fantástica, mas quando intercalado com realizações. Vá, faça o que tem que fazer, trabalhe, estude, conquiste, realize e, depois, não faça nada. Assim, e só assim, esses momentos de inatividade serão então fantasticamente prazerosos. Sempre tive uma sensação de que as paradas depois de grandes atividades têm um sabor especial, mais doce, melhor temperado que os outros. Talvez tenha algo a ver com a sensação de dever cumprido, com o gosto de olhar pra trás e ver uma série de concretizações. Talvez seja isso que faz os 15 minutos após completar um livro serem tão curiosamente prazerosos, com uma ponta de tristeza quando o livro era bom, ou mesmo aquela hora em que você volta de viagem e passa com a mala pelo batente da porta, senta no sofá. Não importa tanto se as coisas que vc fez foram trabalho, foram projetos profissionais, foram dias de diversão com amigos ou com a namorada. Quando se senta pra não fazer absolutamente nada e um inventário de tarefas cumpridas começa a rodar na sua mente, o ócio ganha, certamente, um novo colorido. É pelo mesmo motivo que descansar depois de bastante tempo descansando, mais cansa que descansa. Os melhores presentes e conquistas só podem ser os melhores quando eles vêm juntos com uma forte sensação de merecimento.
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1.
Dani | January 17, 2009 at 9:45 am
Bem legal o texto. Que bom que o blog voltou! (voltou, NÉ??). Sei que Aristóteles e outros filósofos gregos defendiam a escravidão afirmando que os cidadãos deveriam desfrutar de ócio para exercer a cidadania e refletir sobre o que era justo. Enquanto isso, alguem precisava trabalhar, daí a necessidade dos escravos. Fui pesquisar e descobri que a idéia de o ócio ser necessário entre dois momentos de esforço é romana, enquanto a de que o ócio é inútil e sinal de preguiça se fortaleceu e espalhou com a reforma protestante. O que faz sentido, já que surgiu o calvinismo, que defendia o trabalho como salvação da humanidade.
Enfim, só pra dizer q fiquei feliz e me interessei pelo texto =) Keep it up. Beijos!
2.
grande | January 22, 2009 at 1:17 pm
bom, gostei bastante! e é exatamente isso q penso msm
3.
Rodrigo | February 23, 2009 at 12:12 am
cara, seu professor de história se chamava Sidney ou é mania de professores de história geral falarem sobre o ócio?! o.o
enfim, eu acho interessante não só o ócio, mas o equilíbrio entre o ócio e o negócio… pq eu sou daqueles que pensa qoe excessos são ruins dos dois lados. hehehe
(só p/ conhecimento… vi o seu blog lá no seu twitter!!) =P