Being Abroad – Parte 1

A experiência de ir ao estrangeiro e morar um tempo por aqui é uma das mais interessantes que eu já tive até agora e talvez nunca seja tarde pra conhecer mais algum lugar, então recomendo a todos que aproveitem todas as oportunidades que aparecerem. Creio que a experiência do intercâmbio é bastante interessante por dois motivos diametralmente opostos. Ela mostra como somos ao mesmo tempo diferentes e iguais.

Ela expande os horizontes (culturais, sociais, econômicos), derruba vários preconceitos que invariavelmente existem e te faz perceber que as coisas nem sempre são do jeito que você acho que elas sempre seriam, tem coisas que pensamos ser obvias ou certas mas de fato somente o são dentro de um universo limitado geograficamente, culturalmente, economicamente. Um exemplo disso são as bicicletas em Amsterdam, que são mais importantes que os pedestres. No Brasil o pedestre é a prioridade máxima e quem deve se virar para mantê-lo a salvo são os outros, na Holanda, em Amsterdam, a prioridade é dos ciclistas, então se você esta na rua e uma bicicleta vai passar é você quem tem que correr pra não ser atropelado (eles tem sinos pra avisar os distraídos que eles estão passando) e não eles que devem parar ou desviar.

Do outro lado da moeda, é fascinante perceber que estando em um lugar onde as pessoas não falam a sua língua, não conhecem os mesmos livros, músicas, histórias (o que é só parcialmente verdade pois muito disso tudo é universal), é relativamente fácil se comunicar e perceber o que elas percebem e sentem. Perceber que a grande maioria dos valores de humanidade e civilidade, são cultivados e seguidos mundialmente é uma experiência que satisfaz demais a alma. Lembro de um dia, no metro de Paris, ver uma cena que me emocionou um pouco e marcou muito. Havia muitas pessoas no metro e na estação e uma menina chinesa, magrinha, pequena, entrava no metro quando um rapaz árabe esbarrou com o ombro, de uma maneira bastante agressiva, na menina. Três segundos depois um homem africano, bem maior que o rapaz árabe, deu um chacoalhão no rapaz e falou “Il faut aller doucement, connard” ou seja, “tem que ir com cuidado, idiota”. Nessa hora me veio um sentimento forte de justiça e satisfação com a humanidade. Um homem da África defendendo uma chinesa da grosseria de um rapaz árabe no metro de Paris.

Estar aqui tem tido um outro efeito sobre mim, que é me mostrar a importância da história. O Brasil é um país jovem, descoberto em 1500 e independente em 1822, a história do Brasil é tão curta quando comparada a do velho mundo. Aqui os lugares exalam história. Igrejas com mais de 800 anos de idade, lugares que existem a séculos. Foi aqui, na Europa, que nasceu a civilização ocidental da qual a gente faz parte, e em nenhum outro lugar isso é tão evidente. Acho também que aqui as cidades tem muito mais personalidade. Fiz os tours da New Sandeman em Paris e Amsterdam (recomendo fazer sempre que existir na cidade onde você estiver) e neles os guias contam as histórias dos lugares e do povo que mora e morou ali e você consegue perceber um certo espírito de união entre eles além de uma certa personalidade e modo de ver o mundo comum. É incrível ver como os parisienses são parisienses, no sentido de que se expressam de maneiras muito similares (e isso vai além da língua comum, chegando ao modo de pensar, aos trejeitos, construção das frases). Gostei muito também da história do povo de Amsterdam. Como a cidade foi construída artificialmente através de barragens (já que a altitude é baixa demais e em diversos pontos a cidade fica abaixo do nível do mar) há sempre o perigo da inundação e esse perigo e a necessidade de cuidar das barragens e as consertar em épocas de problemas fez com que em diversas ocasiões os holandeses deixassem todas as diferenças de lado pra se concentrar no bem comum. Amsterdam procura ser uma cidade onde você pode ir e ser aquilo que você quer ser, sem julgamentos éticos ou morais, e isso fica bastante evidente quando se constata as diversas liberdades que existem lá (quase nada é proibido e muitas das coisas que são proibidas pela lei na prática não são impostas).

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March 2, 2011 at 9:50 am Leave a comment

Paixões instantânes

Você está no metro, são três hora da tarde e você não está atrasado, você consegue um lugar para sentar dentro do trem e está lendo um jornalzinho que lhe entregaram antes de entrar na estação. Algumas notícias de pouca relevância, Justin Bieber tem o clipe mais visto no youtube, alagamento ontem na zona sul devido a chuva. Por um pequeno instante você desvia o olhar do jornal e percebe uma menina no banco da frente, um pouco afastada de você. Ela está com fones de ouvido brancos e ouvindo alguma coisa no seu Ipod, tem os cabelos morenos um pouco desarrumados com algumas presilhas, a blusa com estampa colorida, o casaquinho aberto, os sapatos vermelhos, um conjunto de coisas que te chama a atenção em pouco mais que alguns segundos e, sem que você entenda bem como, te toma totalmente. Então some o jornal, some a senhora que sentava ao seu lado, some o menino jogando PSP que estava de pé do outro. O trem não faz mais barulho, você já não sabe mais em qual estação está e para onde vai. Você sequer sabe o que está fazendo lá, onde quer que ‘lá’ seja, pois você perde todos os parâmetros e só consegue perceber ela. Você não sabe quem ela é, não sabe o que ela faz ou quantos anos ela tem, mas ela te absorve, te puxa, te hipnotiza. Você em um segundo se imagina ao lado dela, não em um lugar, mas em todos, ao mesmo tempo, na praia, no cinema, no trem, no sofá, no carro, no restaurante, no parque, na roda gigante, na sala de espera, na calçada, no elevador. O seu coração acelera, a sua mente começa a duvidar da realidade, os seus olhos piscam rápido você perde o fôlego. Alguns instantes depois você sente um certo movimento, recobrando sua consciência percebe que o trem parou e as portas abriram. Você olha pra ela, que se levanta, sai pela porta. Ainda paralisado pela intensidade da experiência, meramente observa. As portas se fecham.

December 15, 2010 at 5:44 pm 1 comment

Noites Quentes

Noites quentes. É engraçado como elas trazem sentimentos confusos e misturados. Lembro de um dia numa praia, hospedado num hotel, eu devia ter uns 10 anos, era verão. O quarto era pequeno, acho que minha Irma e minha mãe estavam no mesmo quarto que eu. O calor insuportável não me deixava dormir, lembro até hoje do ventilador de teto girando e como ele não era suficiente. Fiquei horas ali até adormecer, não lembro se cheguei a cair no sono alguma hora. Essa deve ter sido uma das primeiras noites em que o calor me fez pensar na vida toda. Eu no auge dos meus 10 anos passei a noite virando de um lado pro outro e pensando nos meus problemas. Eu achava que tinha vários. Acho que tinha de verdade. É fato que os problemas do presente sempre, ou quase sempre, parecem maiores que aqueles do passado. Sempre penso na criança que perdeu a bola dela e no sofrimento pelo qual ela ta passando com essa perda, será mesmo que é tão menor que o nosso?

Noites quentes. Por mais que sempre surja a insônia como tema na hora de pensar nessas noites, eu penso nelas como noites de reflexão como noites em que a gente acaba se encontrando depois de tanto tempo vivendo no automático. Acho que vivi muito tempo no automático nos últimos tempos. É bom sentir que você tá no controle, principalmente quando estar no controle é tão difícil. Acho que por mais assustadoras que possam ser as noites quentes elas sempre foram meio marcadas por um certo sentimento de paz, de tranqüilidade, de harmonia interna.

Noites quentes. Elas não te lembram da sua condição solitária como as noites frias. Noites quentes me remetem a amor, a proximidade, a intimidade. Das poucas coisas que tenho certeza é que o amor preenche a gente, entra pelos poros, pela pele toda, vai mexendo um pouquinho com cada parte do seu corpo fazendo a gente se sentir de um jeito diferente, mais gostoso, mais alegre, mais otimista. Às vezes não é recíproco e dói, mas acho que dói um pouco menos nas noites quentes. O calor traz muitas lembranças, muitas recordações, acho que as noites quentes as vezes trazem de volta algumas pessoas, ou talvez seja o desejo quem traz, ou o desejo que crie a ilusão de que as noites quentes trarão alguém de volta. Não importa, tento não pensar demais nisso.

Noites quentes. Sempre me imagino morando numa cidade pequena, saindo no meio da noite pra dar um passeio na praça, passando em frente às casas, alguns vizinhos sentados em cadeiras do lado de fora, um casal namorando no coreto, às vezes o casal sou eu e ela, às vezes eu sou só o expectador. Dou uma volta no bairro, aceno pra algumas pessoas, lembro de alguma história que contaram, passo em frente ao parque de diversões, à roda gigante. Sinto falta de companhia em noites quentes, de histórias, de risadas, de sorrisos, de um sorriso em especial.

Noites quentes. Essas noites que fazem a gente chegar um pouco mais próximo da gente mesmo, que às vezes trazem a gente um pouco mais perto dos outros. Noites que fazem a gente viajar nas idéias, nas lembranças, nos desejos. Acho que nossos erros ficam m,ais perdoáveis, nossas culpas menos pesadas. As noites quentes me trazem vontade de fazer as coisas de um jeito melhor, menos preocupado, menos preso, menos discutido, mais espontâneo.Noites quentes. Se todas as noites fossem noites quentes, nenhuma seria.

November 3, 2009 at 7:28 pm 2 comments

Fluxo

Poucas pessoas gostam de trânsito. Enquanto se está no trânsito as possibilidades de uso do tempo são bem restritas. Talvez você possa ouvir as notícias no rádio e se informar sobre o que está acontecendo, talvez possa ouvir algumas músicas que gosta, se divertir, pensar um pouco na vida, resolver um dilema ou outro. Mas o fato é que a maioria preferia estar mais rapidamente no seu destino e, tão incomodada com a situação, não para pra tentar ver o trânsito de uma forma diferente. Sempre penso muito dentro do carro e tento ver se aquilo pode me dar algum insight. Talvez seja uma metáfora um pouco infundada, mas o que é a vida senão um amontoado de interpretações?

Aquele que pensar por poucos minutos no problema do trânsito perceberá que é um problema de fluxo. Os carros não vão de suas origens aos seus destinos com fluidez. Quaisquer que sejam os obstáculos, e não falta diversidade naquilo que para o trânsito, carros demais, ruas estreitas, acidentes, má sinalização, o problema é que os veículos tem o fluxo obstruído diversas vezes.

Penso que a vida seja como o trânsito, que sejam os fluxos que fazem uma pessoa feliz, saudável, realizada, bem sucedida. A maioria das pessoas bem sucedidas em algum aspecto da vida (seja profissional, amoroso, intrapessoal, amizades, saúde) são aquelas que fazem esforços repetidos, constantemente, em direção ao seu objetivo. Importa menos a velocidade e a qualidade desses esforços que o ritmo, que a constância. Se você ler todos os dias 15 páginas de algum livro, no final de um ano você terá lido 5475 páginas! Algumas pessoas conseguem ler livros com muita velocidade, outras não. A questão é que isso é irrelevante, o melhor resultado, o maior número de livros lidos, será na esmagadora maioria o das pessoas que tiveram ritmo e constância ao longo do tempo.

Honoré de Balzac escreveu mais de 100 romances, Rick Wakeman gravou mais de 100 álbuns. Essas marcas foram atingidas através do esforço contínuo, de um fluxo de esforços. Quer você seja uma pessoa muito ou pouco eficiente, muito ou pouco talentosa, a maneira mais segura de chegar longe em qualquer empreitada é garantir que haja um fluxo constante de esforços. O escrito prolífico é aquele que todas as manhãs acorda, toma seu café da manhã e durante várias horas, todos os dias, escreve. Escreve quando chove e quando faz sol, quando briga com a sua mulher e quando ganha presentes. Escreve quando está triste e quando está feliz.

Apesar de ser mais claro e fácil de perceber a importância de um fluxo uniforme e constante quando se trata de um objetivo concreto, mensurável e palpável, ele é tão essencial, ou mais nas questões abstratas. A mais clara é a melhoria pessoal, as pessoas que mais evoluem são aquelas que constantemente estão prestando atenção nas coisas que acontecem com elas, refletindo sobre os resultados e fazendo as alterações necessárias pra que os próximos resultados sejam melhores.

Quando coisas ruins acontecem e logo se abre espaço para novas coisas boas, quando todas as críticas são recebidas e rapidamente incorporam lições ao nosso comportamento, quando os nossos objetivos são perseguidos sistematicamente, todos os dias, independentemente dos humores, quando nos preocupamos com o fluxo das coisas, atingimos resultados melhores. Nosso trânsito interno funciona melhor, não ficamos empacados nos revezes da vida e aumentamos nossa gama de possibilidades de escolha. Nossas escolhas deixam de ser entre ouvir o rádio e olhar os prédios, pra incluir todo tipo de coisa imaginável, para seguirmos em direção a qualquer horizonte.

August 28, 2009 at 9:45 pm 3 comments

O aspecto imaterial da propriedade

Já fazem alguns anos que eu penso sobre isso, sempre ficando muito fascinado, provavelmente pela falta de elementos concretos. Mas pense nessa pergunta, o que faz você dono do seu carro? Não é o fato dele estar na sua garagem e também não é a chave, não é sequer a nota fiscal da concessionária, é simplesmente o fato de você ter comprado ele. Parece óbvio, mas você já parou pra pensar na implicação disso? Isso implica em que há uma dimensão imaterial da propriedade. Muitas vezes penso no que me difere de um sem-teto, em porque eu tenho pra onde ir e ele não. Penso numa situação em que eu perco a minha chave de casa e ele a encontra (digamos que junto da chave exista meu endereço), se você parar pra pensar o único elemento físico que me torna morador de uma casa é a chave, ainda assim, eu sem chave e ele com, a casa é minha e não dele, e mesmo que talvez ele consiga entrar nela e eu não, em um curto espaço de tempo eu estarei dentro e ele fora, os vizinhos sabem que a casa é minha, há testemunhas, há documentos, mesmo que eu não tenha a posse, com o meu nome que me garantem a retomada da casa. É como se houvesse uma aura, um campo imaterial, um elemento invisível em mim, que me faz dono dos meus bens materiais.

February 25, 2009 at 7:36 pm Leave a comment

Ócio merecido

Lembro de uma aula de História Geral no cursinho em que o professor estava falando de um filósofo cujo nome não me recordo. Aquela ficou fortemente marcada pra mim, ele dizia que o filósofo exaltava o ócio, ‘como é bom não fazer nada’, no primeiro instante achei estranha a idéia, mas ele prosseguiu, o ócio é uma sensação fantástica, mas quando intercalado com realizações. Vá, faça o que tem que fazer, trabalhe, estude, conquiste, realize e, depois, não faça nada. Assim, e só assim, esses momentos de inatividade serão então fantasticamente prazerosos. Sempre tive uma sensação de que as paradas depois de grandes atividades têm um sabor especial, mais doce, melhor temperado que os outros. Talvez tenha algo a ver com a sensação de dever cumprido, com o gosto de olhar pra trás e ver uma série de concretizações. Talvez seja isso que faz os 15 minutos após completar um livro serem tão curiosamente prazerosos, com uma ponta de tristeza quando o livro era bom, ou mesmo aquela hora em que você volta de viagem e passa com a mala pelo batente da porta, senta no sofá. Não importa tanto se as coisas que vc fez foram trabalho, foram projetos profissionais, foram dias de diversão com amigos ou com a namorada. Quando se senta pra não fazer absolutamente nada e um inventário de tarefas cumpridas começa a rodar na sua mente, o ócio ganha, certamente, um novo colorido. É pelo mesmo motivo que descansar depois de bastante tempo descansando, mais cansa que descansa. Os melhores presentes e conquistas só podem ser os melhores quando eles vêm juntos com uma forte sensação de merecimento.

January 16, 2009 at 4:46 pm 3 comments

Intensidade

É fácil perceber que as pessoas no geral valorizam e buscam emoções de conotação positiva, aquelas que chamam de boas. Felicidade, alegria, conforto, contentamento, prazer são alguns dos objetivos da maioria das pessoas, mesmo aquelas que parecem valorizar o outro lado no fundo conseguem essas emoções através de processos diferentes das demais. O estereótipo gótico por exemplo, que exalta a morte, a depressão, a tristeza no fundo busca aquelas mesmas coisas (felicidade, alegria, contentamento) por meios que contrastam com o da maioria das pessoas. Difícil questionar o fato de estar feliz ser uma coisa positiva, mas e uma vida 100% feliz, feliz em cada segundo, só com vitórias, alegrias, prazeres, coisas gostosas, em que tudo funciona corretamente, será que uma vida assim é tão desejável? Será que a dor, a frustração, o fracasso, a agonia, o desconforto, a tristeza, aquelas emoções que chamam de ruins são de todo, ruins?

Creio que vejo essa questão de uma maneira diferente, dentre emoções positivas ou emoções negativas eu escolho emoções intensas. Dizem que é o fel que adoça o mel, que sem o sofrimento, o prazer é sempre menor, que o gosto doce das vitórias só é sentido por completo em uma boca que sentiu o amargo da derrota, concordo mas vou além. Creio que as emoções negativas intensas são importantes substantivamente, por si, e não apenas instrumentalmente, como meios para potencializar as boas. Busco uma vida que seja notável, interessante, emocionante, busco conhecer os dois lados da moeda, as áreas um pouco mais escuras da vida, das pessoas, aquilo que elas tem de melhor e pior, que faz delas humanas. As pessoas, na minha opinião, ficam lindas quando choram e quando sorriem. Mais lindas quando sorriem, é verdade, mas também há uma certa beleza intensa, diferente, nas lágrimas que escorrem pelo rosto. O momento das lágrimas costuma ser um dos maior contato introspectivo que temos. Ao derramá-las ficamos mais perto de nós mesmos, nos conhecemos um pouco melhor e aprendemos a nos aceitar também. Ao oferecermos ao outro nossas lágrimas, nosso sofrimento, ao dizermos que dele queremos todas as coisas, não importa que emoções nos cause, estamos querendo o outro incondicionalmente, sendo amigos, colegas, parentes, namorados incondicionalmente. Quero uma vida intensa, uma história de tirar o fôlego, quero que você faça parte dela, em todos os momentos, não temo chorar, não temo sorrir. Só assim que ficamos verdadeiramente juntos, se não temermos o nosso sofrimento, juntos eu e você, se eu não tiver medo das minhas próprias emoções, juntos eu e eu mesmo.

November 7, 2008 at 11:18 am Leave a comment

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