Archive for April, 2008

Expectativa

Há alguns dias atrás meu computador parou de funcionar, a fonte já não funciona mais como deveria. Esse fato me afastou um pouco da internet o que, por sua vez, tornou o Desideas um pouco abandonado. Sempre que levo mais que poucos dias para escrever algo fico pensando nas pessoas que aqui entram e nada encontram, em como elas se sentem antes de apertar enter e depois da página ser carregada. Essa relação é uma relação bem simples na verdade, que inclue expectativa, resultado e frustração.

Os administradores possuem uma formulinha para esse problema S=R/E (satisfação é o resultado dividido pela expectativa, ou seja, quanto menor a expectativa e maior o resultado, maior a satisfação), penso que essa idéia é válida, mas de certo modo simplifica demais algo que no fundo é tão menos objetivo. Sou uma pessoa indicada pra falar de expectativas, ja que convivo bastante com elas, muito mais as minhas próprias do que as de outros. Penso como já escrevi anteriormente que os maiores obstáculos são internos, ou seja, as barreiras que nos distanciam de qualquer um de nossos objetivos vêm de toda parte, mas as de maior intransponibilidade são aquelas que nós mesmos colocamos, algumas das mais expressivas são o medo da felicidade (como nas teorias de Flávio GIkovate, falo em outro momento sobre isso), a auto-sabotagem, a falta de confianca, creio que vale dizer que além dos maiores obstáculos, as maiores expectativas também são internas. De todas as pessoas que queriam que você passasse na prova, escrevesse um bom post (dando assim um exemplo metalinguístico), se reconciliasse com seus pais, parasse de fumar, com certeza foi você quem mais colocou fichas nisso. Essa idéia nos leva a pensar que cada um tem a impresão de ter muito mais fichas que os demais, é a falsa idéia do “só eu tenho muitas preocupações” ou do “meus problemas são mais complicados e mais importantes” que já passou pela cabeça de todos nós quando, na verdade, só é uma questão de perspectiva.

De todo modo, a nossa expectativa é tão imensa e pesada. É pesada, já que sua presença afeta todas as suas atividades durante todo o tempo até o evento em questão, enquanto a expectativa sobre o outro funciona apensa como uma ansiedade, curiosidade, torcida. Essa diferença se dá pelo fato de que controlamos, pelo menos em algum nível, o resultado (lembre que S=R/E), quando com os outros muitas vezes todos os fatores estão longe de nosso alcance. Não creio que sejam novidades ou idéias de todo originais, mas vale dizer que a melhor opção para lidar com essa situação é focar no R, fazendo isso você aumenta as chances de um S maior e, principalmente, tira o seu foco do E, que tanto gera ansiedade, nervosismo.

Digressão

É patente o grau de experimentação com que tenho conduzido Desideas, seja por não ficar contente com um tema,uma idéia, seja por tentar estilos novos, formatos diversos. Creio que ainda busco o caminho ótimo, tenho algumas pistas, tentativas frustradas, alguns sucessos, mas ainda não consigo ver qual o melhor caminho para chegar naquilo que considero fascinante. Deve-se isso em muito a simplesmente não ter certeza quais são as idéias e métodos que simplesmente impressionam a primeira vista e quais são estiística e substancialmente profundos e interessantes. Continuo testando…

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April 25, 2008 at 6:16 pm 4 comments

Capacidade de criação

Tenho pensado em diversos assuntos ultimamente, é incrível como em algumas épocas somos inundados por milhões de idéias, muitas delas escorregadias demais para retermos, outras simplesmente não entendemos bem o suficiente para que possamos tirar proveito, há ainda um terceiro grupo que entendemos, fixamos, mas não fazem sentido senão pra nós mesmos e dessa forma perdem boa parte do seu potencial. Creio que o poder das idéias se encontra sempre na difusão delas, mesmo as que não incluem várias pessoas na sua execução apreciação, talvez isso seja fruto da minha competitividade. Sempre fui competitivo, conheço poucas pessoas que me superam nesse quesito (e estou longe de considerar isso como uma grande qualidade). Há algum tempo interiorizei uma idéia, que não sei exatamente de onde tirei, ou se eu mesmo desenvolvi (menos provável), creio que ela tornou a competitividade em mim uma coisa bastante mais proveitosa para todos.

A idéia consiste em valorizar não o trabalho, mas a capacidade de trabalho. Então “ganha”, não quem consegue tirar mais frutos de um trabalho, mas quem demonstra a maior capacidade de criação. Essa é uma das idéias em que se apóia o conteúdo livre, esse é o porquê eu não me importo que copiem algo que escrevi, que utilizem de idéias que pensei. Se tenho mérito, este não é minhas idéias, mas a capacidade de criá-las e expressá-las. Esse também é o porquê um homem que ficou rico com seu trabalho se não tiver nada hoje, provavelmente em um ano terá conquistado novamente grande riqueza material e um homem, tendo sido pobre toda a vida e ganhado na mega sena, ao final de um período será novamente pobre.

Essa é uma das coisas com as quais sempre fiquei fascinado em relação ao mundo em que eu vivo (já que a realidade é simbólica não posso afirmar que é o mesmo que você vive, não é), com como nascemos imiscuídos num jeito de viver que nos envolve e nos penetra, particularmente a idéia das múltiplas características dos objetos. É só olhar para qualquer objeto que, com os olhos, nele vemos apenas as características físicas e somente elas. Todo o mais que temos de informação nele é contido nessas idéias e símbolos interiorizados a muito tempo em cada um. Utilidade, posse, perigos, lembranças. É como se a cada objeto acompanhasse um pacotinho de características imateriais, o mais interessante é que somente, e a rigor nem mesmo ela, a parte física do conjunto é comum a todos, os acompanhantes são sempre diferentes para cada um.

April 18, 2008 at 7:18 pm 4 comments

Desencontros

Ah, quantas vezes quis te agradar, pintar um quadro bonito de se olhar, tocar a música que deliciaria seus ouvidos. Quanto de mim quis colocar pra fora, em palavras, em olhares, em gestos curtos e pequenas atitudes. De alguma maneira nunca te alcancei, foi como se minhas cartas tivessem se perdido no correio, estando perto nunca estive mais longe. Não pude falar na frequência em que tu poderias ouvir, querias um beijo quando ofereci um abraço, querias tempo quando eu companhia. De todas as coisas que foram e voltaram, que permearam o que nós fomos, somente o desencontro foi perene. Muitas tarde e noites, e manhãs e madrugadas, pensei porque nunca pude traduzir tudo que sentia pro seu idioma. Desde onde minha língua deixou de combinar com a tua? A música que ouvia no carro nunca foi a mesma dos teus fones. Gostava-te a noite, me querias de dia. Parecem todos dissonantes os acordes de nossa harmonia, que reinos distantes eram o destino de cada fantasia. Nunca entendi porque te queria tanto, porque tanto me desejava, quando tudo teu me desagradava e minhas tentativas todas fracassavam. Talvez estivéssemos fadados a errar e querer continuar errando, a ilusão de que alguma hora funcionaria. Quanto me enganei, quanto te iludi? Do primeiro encontro em diante, sempre soube que os demais não seriam encontros, que sempre ouvirias diferente do que eu estivesse falando, de certa forma isso não me preocupou.

A vida sempre foi como um mar de desencontros, polvilhado de pequenas ilhas de compreensão, de convergência. Longas são as viagens de uma ilha a outra, e impreciso é nosso mapa, bússolas que funcionam mal. A própria dificuldade da viagem que torna as paradas tão intensas, fantásticas. Apesar disso as paradas são necessariamente temporárias, viver é preciso, navegar é preciso.

April 13, 2008 at 3:18 pm 1 comment

Ausência de Tema

Vou tentar uma vez escrever de uma forma um pouco diferente. Na maioria das vezes escrevo de maneira dissertativa, expressando minha opinião de um modo mais impessoal. Creio que os argumentos ganham força dessa maneira, a palavra acho é uma grande enfraquecedora do discurso. Tento sempre substituir por creio, acredito. Curioso como às vezes uma palavra escolhida ao invés da outra muda a idéia do seu texto, da fala. Costumo ir escolhendo elas ao longo do caminho, sem restringir umas ou outras por conta do meu objetivo. Não tenho certeza que seja a melhor maneira de proceder, definir uma direção mais precisa, excluir objetivos da sua gama de possibilidades melhora a qualidade do produto final. Talvez meu grande problema no blog seja a falta de um tema central bastante específico, falar de idéias, de forma ampla e geral, às vezes acaba sendo um tanto vago, pouco direcionado, como esse post. Tendo a gostar mais de coisas focadas, os melhores cds pra mim são os conceituais, aqueles que do começo ao fim tem um tema ou história, acho que é baseado um pouco nisso que eu criei alguns ciclos como o Henrique, Ana Beatriz, o Desideas. Ao mesmo tempo me atraem as digressões, em grande parte as digressões me interessam mais que as histórias, que o desenrolar da trama. Nela os autores se revelam de forma bem mais explícita e, ao mesmo tempo, criam uma espécie de um espelho pra que você possa se ver também. Ainda não decidi se me entendo mais quando os outros se revelam e, com isso, mostram novos jeitos de olhar, lugares pra procurar o significado das coisas ou se o auto-conhecimento é mais intenso quando falo, escrevo, conto, talvez seja um ciclo, primeiro você, pelo que lê, ouve, assiste, observa, encontra novos caminhos e ao falar aperta o passo, desenvolvendo com maior firmeza e velocidade cada trecho dele. A parte boa de não possuir um objetivo é que é impossível fracassar, considero então essa uma digressão bem sucedida.

April 9, 2008 at 10:00 pm 4 comments

Sucessão do amor

As vezes quando tudo fica escuro e é difícil enxergar,
Lembro da luz que eu vi brilhando forte em seu olhar.
Mais tarde me recordo, do não, das lágrimas, das dores
Da expressão nos teus olhos, que do meu tirou as cores.
Ficaram memórias de sonhos, corações quebrados,
E do jogo do amor nada sobrou, senão os dados.
Tanta ansiedade, vontade de voltar, de quero voltar
De nos seus olhos ver que quer amar e amar e reamar
Impossível tarefa de viver sem pressa, de acalmar o coração.
De deixar pra trás sorrisos, desejos de uma paixão.
Guardar as cartas, fotos, presente, ver a realidade.
Transformar o beijo apaixonado num abraço, em amizade.
Quem sabe um dia o destino, eu ou você de algum jeito,
Ponham de volta no seu, o amor que ainda sinto no meu peito.

April 8, 2008 at 9:26 pm 4 comments


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