Archive for June, 2008

A luz silenciosa

Algumas vezes não sabemos bem de onde vêm as coisas, os medos, os sentimentos, os desejos, isso não impede que eles nos penetrem, inundem, preencham completamente. Por vezes não existem culpados, as razões não são claras, a hora é inesperada. Nada disso torna tudo menos verdadeiro, intenso, real. Dentre todas as oportunidades e alternativas algumas das mais interessantes tem pouca lógica, parecem, e talvez sempre sejam, incompreensíveis. Não pense, não pergunte, não reflita, sinta. Às vezes a luz é silenciosa e a única coisa que nunca poderemos é voltar no tempo.

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June 18, 2008 at 11:02 pm 5 comments

N’allez pas trop vite – segunda parte

Saio do carro, fecho a porta. Bip-bip. Penso se liguei o alarme por costume ou por medo, talvez um dia tenha sido o medo. Passando pelas janelas vejo meu reflexo, o cabelo voltou, eu sabia que voltaria, arrumo de novo, agora sim, iludo-me, sigo. Já reparou na velocidade das pessoas no banheiro bem cedo? É um pouco assustadora, aposto que se vendassem todos, não haveria problema algum. Adoro torneiras de botão, é uma daquelas invenções simples, óbvias depois de feitas, faz parte das coisas que você aprende num clique e rapidamente esvaecem. Dentro da sala de aula cada pessoa conversa com alguma outra, alguns dormem sobre as carteiras, dois lêem, três pessoas discutem um problema na lousa. Sento mais ou menos no mesmo lugar, a mesa é um pouco inclinada, um tanto torta. A aula passa no tempo em que passa, um tempo de certo modo flexível, alguns tópicos passam rápido, outros exercícios arrastam os ponteiros. Não entendo tudo, não ignoro nada.

Entre uma aula e outra sempre vou andando. Colocaram algumas placas novas pelo caminho essa semana. Animais na pista, nunca vi nenhum. Não sei se olho pra cima, pra baixo, se presto atenção nos outros ou nas coisas. Alterno e caminho. Várias nuvens formando uma linha; lembro da explicação das correntes de ar com sentidos opostos. No universo da cultura o centro está em toda parte. Apresso o passo, a fila é longa. Dizem que brasileiro adora fila, um dia descubro. Pilhas de pratos, alguns parecem ter muitos anos, marcados de inúmeras garfadas, quantas pessoas passaram pelos lugares por onde eu passo? Logo atrás ouço histórias sobre assuntos que desconheço, Sobota, Poisson, Bernays. Não vejo os rostos, imagino pelas vozes. Mais graves, menos sorridentes, mais agudos, menos sérios. Existe alguma relação com voz e aparência? Todos os dias iguais, todos os dias diferentes. Fila de entrada, fila de saída.

June 6, 2008 at 9:54 pm 1 comment


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