Archive for July, 2008

Um bom relacionamento

Um bom relacionamento é aquele em que duas pessoas, auto-suficientes e independentes, resolvem aproximar-se uma da outra, não por carência, nem por necessidade. Elas ficam bem sozinhas e não precisam do outro para se sentirem completas. Duas pessoas, assim, completas, podem optar (é de se pensar o quanto verdadeiramente é uma opção a escolha de ficar junto com alguém que, sem ele, não conseguimos suportar a sensação de incompletude. Só há opção quando há liberdade) por ficar juntas.

Essas pessoas devem ser antes de tudo, não cronologicamente, mas em termos de importância, amigas. Conhecendo e valorizando sua própria individualidade podem elas estar juntas em um relacionamento de respeito das diferenças, ao invés de concessões. Necessariamente, com o passar dos tempos, todos desenvolvemos uma série de características, valores, manias, hábitos, idéias que são únicos e que definem o que nós somos, abster-se disso é aceitar ser menos aquilo que nos constitui e mais o que outro gostaria.

É assim, prezando o que é de cada um, sem impor o meu ao seu que podem ao mesmo tempo se desenvolver o amor, o afeto, o carinho, o respeito, a atração, em suma o bom relacionamento e, ao mesmo tempo, a individualidade.

É interessante reparar que quando as coisas se desenrolam de maneira diferente então os dois caminhos, o de estar junto e o de ser um indivíduo único acabam tomando caminhos opostos e, com algum tempo, se tornam incompatíveis. Penso que não devemos seguir por um caminho que te obriga a optar por aproximar-se do outro ou aproximar-se de si próprio.

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July 20, 2008 at 9:29 pm 4 comments

O ar da cidade liberta

A vida carece de sentido. É fácil a comprovação empírica, basta ver o tamanho desenvolvimento que houve até os dias de hoje da ciência, que dá sentido racionalizando, da religião, que dá sentido transcendendo, da astrologia, alternativa mística. Outra maneira de se constatar a forte necessidade que o homem tem de imprimir um sentido à vida é o crescente número de workaholics. Trabalhar, trabalhar, trabalhar, enquanto estamos ocupados essas dúvidas e dores existenciais são bastante amenizadas, pra alguns é o trabalho mesmo que dá o sentido pra tudo, há quem morra depois de se aposentar. Se se tem em conta que se é um em meio a bilhões de outros essa necessidade se torna ainda maior, sendo individualmente menos e menos importantes para o todo há que se perguntar se existe algum motivo em absoluto. Quanto mais aprendemos e percebemos que o mundo é vasto, mais difícil parece ser encontrar o norte para essa sucessão de lugares, sensações, fatos, acasos, pessoas que passam rapidamente por nós.

Sem embargo, vejo nessa dificuldade motivo para grande comemoração. A dor derivada do sentimento de insignificância cósmica, de indiferença do mundo perante nós, ao mesmo tempo em que flagela, liberta. Não haver um sentido destrava infinitas possibilidades. Permite que cada um escolha, mude, ajuste, seu próprio sentido ao sabor dos acontecimentos, mais que isso, possibilita viver sem obrigação de qualquer direcionamento. “Stadtluft macht frei” (o ar da cidade liberta), mais que isso, quanto maior a cidade, maior a liberdade. É ninguém saber quem você é que lhe permite ser aquilo que quiser. A pressão interna de corresponder a esta ou aquela expectativa é tremendamente amenizada quando todos são estranhos a sua volta.

July 2, 2008 at 8:29 pm 3 comments


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