Ariela

August 1, 2008 at 11:19 pm 3 comments

Saiu correndo pelas escadas, descia pulando de dois em dois degraus, seus pés pisavam vacilantes, os sapatos havia retirado dos pés e carregava na mão esquerda, a bolsa no ombro, às vezes segurava o corrimão. Não enxergava bem o caminho, as lágrimas turvavam sua visão. Ariela havia chamado o elevador mas, perturbada demais, não agüentou esperar. Partindo do décimo quinto andar, desceu sem pensar, sem parar. Tropeçou no hall do nono, não se levantou. Sentou ao lado de uma porta estranha e chorou. Com os joelhos erguidos, os braços cruzados sobre eles e o rosto no meio, Ariela chorou por muitos minutos. Sua maquiagem escorria escura, da cor dos cabelos bagunçados, pela face, os óculos jogou no chão depois que sentou. Ninguém discordaria de que Ariela, apesar ou por conta de seu estado, estava notavalmente atraente naquele momento. Não pensava, não avaliava, não raciocinava, chorava. Se pensasse lembraria que está não era a primeira vez e que as coisas se acertaram na última. Se avaliasse perceberia que tudo aquilo era conseqüência direta das coisas que havia dito e que a situação não podia se desenrolar de maneira diferente. Se raciocinasse perceberia que eram oito da noite, o prédio tinha quatro apartamentos por andar e era bem provável que alguém a notasse ali, ouvisse seu choro e, com intenção de ajudar, perguntasse o que tinha acontecido. Ariela não saberia explicar. Tudo o que sabia é que pegou as chaves do carro, disse que não voltaria, bateu a porta…

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Do encadeamento de escolhas Successive Approximations

3 Comments Add your own

  • 1. Thaís Canina  |  August 3, 2008 at 9:28 pm

    Fantástico! Espero a continuação…

    Reply
  • 2. janjão  |  August 23, 2008 at 12:57 pm

    Oiiii véio
    Eu gostei, vc mata o leitor tal como Júlio Cotazar, inesperadamente é um jeg no queixo. O boxer ta fazendo bem. Um pouco sado a imagem dela chorando, porém perfeita a imagem de quem está no desespero. Avisa a Thais que o conto fantástico é assim mm, não tem continuação não. Mas na minha idade, no real, é bom lembrar, que nada é importante, sei que é impossível, no instante trágico da cada um. Mas seria bom: aceitar, entender e transformar.
    bjs jb

    Reply
  • 3. ariela  |  October 18, 2008 at 4:18 pm

    adorei

    Reply

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