Archive for March, 2011

Being Abroad – Parte 1

A experiência de ir ao estrangeiro e morar um tempo por aqui é uma das mais interessantes que eu já tive até agora e talvez nunca seja tarde pra conhecer mais algum lugar, então recomendo a todos que aproveitem todas as oportunidades que aparecerem. Creio que a experiência do intercâmbio é bastante interessante por dois motivos diametralmente opostos. Ela mostra como somos ao mesmo tempo diferentes e iguais.

Ela expande os horizontes (culturais, sociais, econômicos), derruba vários preconceitos que invariavelmente existem e te faz perceber que as coisas nem sempre são do jeito que você acho que elas sempre seriam, tem coisas que pensamos ser obvias ou certas mas de fato somente o são dentro de um universo limitado geograficamente, culturalmente, economicamente. Um exemplo disso são as bicicletas em Amsterdam, que são mais importantes que os pedestres. No Brasil o pedestre é a prioridade máxima e quem deve se virar para mantê-lo a salvo são os outros, na Holanda, em Amsterdam, a prioridade é dos ciclistas, então se você esta na rua e uma bicicleta vai passar é você quem tem que correr pra não ser atropelado (eles tem sinos pra avisar os distraídos que eles estão passando) e não eles que devem parar ou desviar.

Do outro lado da moeda, é fascinante perceber que estando em um lugar onde as pessoas não falam a sua língua, não conhecem os mesmos livros, músicas, histórias (o que é só parcialmente verdade pois muito disso tudo é universal), é relativamente fácil se comunicar e perceber o que elas percebem e sentem. Perceber que a grande maioria dos valores de humanidade e civilidade, são cultivados e seguidos mundialmente é uma experiência que satisfaz demais a alma. Lembro de um dia, no metro de Paris, ver uma cena que me emocionou um pouco e marcou muito. Havia muitas pessoas no metro e na estação e uma menina chinesa, magrinha, pequena, entrava no metro quando um rapaz árabe esbarrou com o ombro, de uma maneira bastante agressiva, na menina. Três segundos depois um homem africano, bem maior que o rapaz árabe, deu um chacoalhão no rapaz e falou “Il faut aller doucement, connard” ou seja, “tem que ir com cuidado, idiota”. Nessa hora me veio um sentimento forte de justiça e satisfação com a humanidade. Um homem da África defendendo uma chinesa da grosseria de um rapaz árabe no metro de Paris.

Estar aqui tem tido um outro efeito sobre mim, que é me mostrar a importância da história. O Brasil é um país jovem, descoberto em 1500 e independente em 1822, a história do Brasil é tão curta quando comparada a do velho mundo. Aqui os lugares exalam história. Igrejas com mais de 800 anos de idade, lugares que existem a séculos. Foi aqui, na Europa, que nasceu a civilização ocidental da qual a gente faz parte, e em nenhum outro lugar isso é tão evidente. Acho também que aqui as cidades tem muito mais personalidade. Fiz os tours da New Sandeman em Paris e Amsterdam (recomendo fazer sempre que existir na cidade onde você estiver) e neles os guias contam as histórias dos lugares e do povo que mora e morou ali e você consegue perceber um certo espírito de união entre eles além de uma certa personalidade e modo de ver o mundo comum. É incrível ver como os parisienses são parisienses, no sentido de que se expressam de maneiras muito similares (e isso vai além da língua comum, chegando ao modo de pensar, aos trejeitos, construção das frases). Gostei muito também da história do povo de Amsterdam. Como a cidade foi construída artificialmente através de barragens (já que a altitude é baixa demais e em diversos pontos a cidade fica abaixo do nível do mar) há sempre o perigo da inundação e esse perigo e a necessidade de cuidar das barragens e as consertar em épocas de problemas fez com que em diversas ocasiões os holandeses deixassem todas as diferenças de lado pra se concentrar no bem comum. Amsterdam procura ser uma cidade onde você pode ir e ser aquilo que você quer ser, sem julgamentos éticos ou morais, e isso fica bastante evidente quando se constata as diversas liberdades que existem lá (quase nada é proibido e muitas das coisas que são proibidas pela lei na prática não são impostas).

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March 2, 2011 at 9:50 am Leave a comment


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